sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

CARTA DE PAULO AOS COLOSSENSES


Introdução à Carta

COLOSSOS:

A informação que atualmente possuímos da cidade de Colossos é escassa. Sabemos que se erguia às margens do rio Lico, afluente do Meandro, a uns 175 km a leste de Éfeso; e que, do ponto de vista administrativo, pertencia à província romana da Ásia. Houve uma época em que gozou de certo prestígio comercial, mas a partir do ano 61 d.C., depois de um violento terremoto, entrou em processo de tanta decadência, que logo chegou quase ao desaparecimento total.
Também não se têm muitas notícias da igreja de Colossos, que, para Paulo, era pessoalmente desconhecida na data em que escreveu esta epístola (1.4; 2.1). Algumas vezes havia passado pela região de Frígia (At 16.6; 18.23), mas sem visitar a cidade.

A pregação do evangelho naquela região da Ásia Menor havia sido confiada a Epafras, residente em Colossos (4.12) e talvez o fundador da igreja. A ele o apóstolo se refere com claro afeto, chamando-o de “amado conservo” (1.7; cf. Fm 23) e relacionando-o com as comunidades cristãs de outras duas cidades: Laodicéia, onde possivelmente a igreja tenha chegado a ter certa importância, e Hierápolis (2.1; 4.13,15-16; cf. Ap 1.11; 3.14-22).

Os crentes que se reuniam em Colossos constituíam um grupo principalmente de procedência gentílica, composto por pessoas que, na sua maioria, se não na sua totalidade, haviam antes professado alguma forma de culto pagão.

PROPÓSITO

Apesar da sua curta existência, a igreja já havia começado a acusar a infiltração de doutrinas que se desviavam do evangelho. Essa notícia, recebida por meio de Epafras, alarmou a Paulo, que se achava preso, possivelmente em Roma. Ao compreender os perigos que espreitavam a fé ainda recente dos colossenses (1.23; 2.4-8,16-23), lhes escreveu para alertá-los. Depois, encarregou “Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor” (4.7), de levar a carta ao seu destino.

Neste documento se revela a influência que alguns hábitos residuais das suas antigas crenças religiosas e costumes pagãos exerciam entre os crentes de Colossos (2.8,14-17). Eram formas de vida e de cultura difíceis de desarraigar, as quais, unidas à permanente pressão do meio social de Colossos e à incessante insistência dos judaizantes acerca da sujeição à lei mosaica (cf. 2.11-13,16), causavam confusão e inquietude na igreja.

CONTEÚDO E ESTRUTURA

O corpo central da Epístola aos Colossenses (Cl) está estruturado em três grandes seções, precedidas de uma breve introdução (1.1-8) e seguidas de um epílogo que contém notas pessoais e saudações de despedida (4.7-18).

Na primeira seção (1.9-23), Paulo dá graças ao Senhor pela fé dos “santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos” (1.2), aos quais dá garantias a respeito da ação salvadora de Deus (1.9-14). Com um hino de elevada inspiração e beleza, proclama a soberania de Cristo sobre toda a criação (1.15-20): Cristo, “a cabeça do corpo, da igreja” (1.18; cf. Ef 1.22-23), “é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (1.17). Mediante o seu sacrifício na cruz, redimiu o pecador (1.14) e o reconciliou e colocou em paz com Deus (1.20-22).

A segunda seção da carta (1.24—2.5) se refere ao ministério de Paulo, à sua pregação do evangelho entre os gentios, aos que ele dá a conhecer os desígnios de Deus, antes secretos mas agora revelados em Jesus Cristo, que é a esperança gloriosa para todos quantos crêem nele (1.25-27; 2.2-3).

A terceira e a quarta seções (2.6—4.6) instruem sobre os valores do evangelho da graça. Em Cristo “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (2.9), e nele os crentes alcançam a sua própria plenitude (2.10-15); em conseqüência, devem abandonar atitudes e preceitos que não estão de acordo com a nova vida em Cristo (2.13-17,20-22) e buscar “as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (3.1). Essa nova vida há de ajustar-se aos princípios da nova humanidade criada em Cristo (3.10): tanto no estritamente pessoal (3.5,8-9) como no que afeta a convivência na igreja, na família, entre as amizades ou no trabalho (3.5—4.1). O evangelho proclama a superação em Cristo de tudo o que conduz para o estabelecimento de diferenças hostis entre as pessoas, porque “Cristo é tudo em todos” (3.11). Em conseqüência, aqueles a quem Deus quis escolher têm o dever indesculpável de viver em recíproca disposição de humildade, perdão, paz e “amor, que é o vínculo da perfeição” (3.12-14).

O epílogo (4.7-18) inclui uma relação de saudações na qual são mencionados vários colaboradores de Paulo. Entre outros, Tíquico, portador da carta; Onésimo, “que é do vosso meio” (4.9), Lucas, “o médico amado” (4.14).

DATA E LUGAR DE REDAÇÃO

Esta epístola oferece uma especial coincidência de nomes próprios com a dirigida a Filemom, também escrita na prisão. Mas o paralelismo mais notável se dá entre Colossenses e Efésios (ver a Introdução a Efésios). É provável que ambas pertençam à mesma época (os anos 60 e 61), o que explicaria a semelhança dos temas expostos, a forma semelhante de tratá-los e os paralelos de estilo e de vocabulário. Tradicionalmente se considera que Colossenses foi escrita em Roma.

ESBOÇO:

Prólogo (1.1-8)
1. A excelência da pessoa e a suficiência da obra de Cristo (1.9-23)
2. O ministério de Paulo (1.24—2.5)
3. Advertência contra falsos mestres (2.6—3.4)
4. A nova vida em Cristo (3.5—4.6)
Epílogo (4.7-18)


QUEM NÓS SOMOS EM CRISTO:

1. Santos e irmãos fiéis em Cristo - 1.2
2. Tirados da postestade das trevas e transportados para o Reino do Filho do seu amor - 1.13
3. Redimidos pelos sangue - 1.14
4. Reconciliados com Deus pelo sangue da cruz - 1.21
5. Estais perfeitos em Cristo - 2.10
6. Estais circuncidados com a circuncisão de Cristo - 2.11
7. Estais sepultados com ele no batismo - 2.12
8. Estais ressuscitados pela fé no poder de Deus - 2.12
9. Vivificados juntamente com Cristo - 2.13
10. Temos todas as nossas ofensas perdoadas - 2.13
11. Estamos livres de toda acusação - 2.14
12. Estamos mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo - 2.20
13. A nossa vida está escondida com Cristo em Deus - 3.3
14. Já nos despimos do velho homem - 3.9
15. Já nos revestimos do novo homem - 3.10
16. Somos eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão e longanimidade - 3.12
17. Fomos perdoados para perdoar - 3.13
18. Fomos chamados para a paz de Deus em um corpo - 3.15
19. Firmes, perfeitos e consumadosem toda a vontade de Deus - 4.12

O QUE NÃO SE DEVE FAZER COMO CRISTÃOS:

1. Não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouviste - 1.24
2. Ninguém vos engane com palavras persuasivas - 2.4
3. Ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas - 2.8
4. Ninguém vos julgue - 2.16
5. Ninguém vos prive do prêmio - 2.17
6. Não pensais nas coisas da terra - 3.2
7. Não mintais uns aos outros - 3.9
8. Vós pais, não irriteis a vossos filhos - 3.21


O QUE SE DEVE FAZER EM CRISTO:


1. Ser cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, em toda sabedoria e entendimento espiritual - 1.9
2. Andar dignamente diante do Senhor - 1.10
3. Agradar ao Senhor em tudo - 1.10
4. Frutificar em toda boa obra - 1.10
5. Crescer no conhecimento de Deus - 1.10
6. Dar graças ao Pai - 1.12
7. Ser santo, irrepreensível e inculpável - 1.22
8. Assim como recebestes a Cristo, andai nele - 2.6
9. Crescer em ação de graças - 2.7
10. Buscai as coisas de cima onde Cristo está assentado - 3.1
11. Pensai nas coisas lá de cima - 3.2
12. Fazei morrer a vossa natureza terrena - 3.5
13. Despojai-vos de tudo - 3.8
14. Revesti-vos de compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longaminidade - 3.12
15. Suportai-vos uns aos outros - 3.13
16. Perdoai-vos uns aos outros - 3.13
17. Revesti-vos do amor que é o vínculo da perfeição - 3.14
18. Sede agradecidos - 3.15
19. A Palavra de Cristo habite em vós abundantemente - 3.16
20. Fazei tudo em nome do Senhor Jesus - 3.17
21. Dai graças a Deus-Pai por Jesus - 3.17
22. Mulheres sede submissas a vossos maridos - 3.18
23. Maridos, amai vossas mulheres - 3.19
24. Filhos obedecei vossos pais em tudo - 3.20
25. Servos, obedecei a vossos senhores em simplicidade de coração, temendo a Deus - 3.22
26. Tudo que fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor e não como aos homens - 3.23
27. Senhores dai a vossos servos o que é de justiça e eqüidade - 4.1
28. Perseverai na oração - 4.2
29. Orai por nós - 4.3
30. Orai para que eu possa manifestar o mistério de Cristo, como devo fazer - 4.4
31. Andai em sabedoria para com os que estão de fora - 4.5
32. A vossa palavra seja temperada com sal para saberdes responder como deveis - 4.6
33. Vos conserveis firmes, perfeitos e plenamente seguros em toda a vontade de Deus - 4.12


RAZÕES APRESENTADAS NA CARTA:

1. Porque ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos - 1.4
2. Porque em Cristo foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele - 1.16
3. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse - 1.19
4. Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne - 2.1
5. Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé - 2.5
6. Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade - 2.9
7. Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus - 3.3
8. Porque já vos despistes do velho homem com os seus feitos - 3.9
9. Porque isto é agradável ao Senhor - 3.20

FINALIDADES DA CARTA

1. Para com todos os santos—1.4
2. Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus - 1.10
3. Para participar da herança dos santos na luz—1.12
4. Para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis—1.22
5. Para cumprir a Palavra de Deus—1.25
6. Para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo—1.28
7. Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para o conhecimento do mistério de Deus, e do Pai, e de Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência—2.2-3
8. Para que ninguém vos engane com palavras persuasivas—2.4
9. Para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo—2.8
10. Para que não percam o ânimo—3.21
11. Para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso—4.3
12. Para que O manifeste, como me convém falar—4.4
13. Para com os que estão de fora, remindo o tempo—4.5
14. Para que saibais como vos convém responder a cada um—4.6
15. Para que saiba do vosso estado e console os vossos corações—4.8
16. Para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus—4.12
17. Para que o cumpras—4.17

ELOGIOS À FÉ DOS CRENTES COLOSSENSES

1. Aos santos e irmãos fiéis—1.2
2. Ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus—1.4
3. Permanecerdes fundados e firmes na fé—1.23
4. Vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo—2.5
5. Confirmados na fé—2.6
6. Ressuscitastes pela fé no poder de Deus—2.12

ALUSÕES AO AMOR DOS CRENTES

1. Do amor que tendes para com todos os santos—1.4
2. O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito—1.8
3. Revesti-vos do amor que é o vínculo da perfeição—3.14
4. Maridos amai vossas mulheres—3.19

CONCEITOS NOVOS AOS CRENTES

1. Conhecimento da sua vontade—1.9
2. Sabedoria—1.9
3. Inteligência espiritual—1.9
4. Conhecimento de Deus—1.10
5. Força da sua glória—1.11
6. Esperança do evangelho—1.23
7. Plenitude da inteligência—2.2
8. Conhecimento do mistério de Deus, e do Pai, e de Cristo—2.2
9. Tesouros da sabedoria e da ciência—2.3
10. A circuncisão de Cristo—2.11
11. Vossa vida está escondida em Cristo—3.3
12. Velho homem versus novo homem—3.9-10
13. Cristo é tudo em todos—3.11
14. Toda sabedoria—3.16
15. Andai com sabedoria—4.5
16. Consumados em toda a vontade de Deus—4.12
17. Ninfa e a igreja que está em sua casa—4.15

O MISTÉRIO DE DEUS:

1. Em Cristo temos a remissão dos pecados—1.14
2. Cristo é a imagem do Deus invisível—1.15
3. Cristo é o primogênito de toda a criação—1.15
4. Em Cristo foram criadas todas as coisas—1.16
5. Cristo é antes de todas as coisas—1.17
6. Todas as coisas subsistem por Cristo—1.17
7. Cristo é o cabeça da Igreja—1.18
8. Cristo é o princípio - 1.18
9. Cristo é o primogênito dos mortos—1.18
10. Em Cristo habita toda a plenitude de Deus—1.19
11. Pelo sangue de Cristo foi feita a paz entre Deus e o homem—1.20
12. Por meio de Cristo foi feita a reconciliação de todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão no céu—1.20
13. Na morte de Cristo nós fomos reconciliados para sermos santos, irrepreensíveis e inculpáveis—1.22
14. Cristo em vós é o mistério de Deus—1.26-27
15. Em Cristo, todo homem alcança a perfeição—1.28/2.20
16. Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência—2.3
17. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade—2.9
18. Cristo é o cabeça de todo principado e potestade—2.10
19. Em Cristo somos sepultados e ressuscitados—2.12-13
20. Cristo perdoou todas as nossas ofenças—2.13
21. Cristo riscou a acusação que era contra nós e a tirou do meio de nós—2.14
22. Cristo despojou os principados e potestades e deles triunfou—2.15
23. O nosso corpo agora pertence a Cristo—2.17
24. Cristo é a nossa vida—3.4
25. O novo homem se renova segundo a imagem de Cristo—3.10

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